O Refrigerante - Parte 2
Leia a primeira parte aqui!
Acordei de manhã, olhei pro lado e lembrei do episódio de ontem. Eu estava saindo de uma lanchonete, quando me lembrei que havia esquecido meu jornal no balcão. Tinha me distraído completamente, pois havia encontrado uma colega de anos atrás que há muito não via. Voltei à lanchonete e não achei meu jornal. Fiquei um pouco indignado, pois tinha começado a ler uma matéria interessante sobre células. Coisa que a igreja não gosta muito. Chamei uma senhora que trabalhava lá e perguntei onde estava meu jornal, mas ela falou que não viu jornal algum. Alguém obviamente deve ter pego e o pior é que não era uma edição nova. Eu havia comprado semanas atrás e o tinha esquecido em minha mesa no escritório. Com certeza eu não acharia nas bancas.
Olhei e olhei e nada de achá-lo. Ouvi um comentário atrás de mim de um homem dizendo algo sobre o jornal, mas como ele saiu em seguida, não dei importância. Fui perguntar um jovem atendente do outro lado do balcão sobre meu jornal quando ouvi um barulho do lado de fora. Me virei e vi um homem caído no chão ao lado de uma poça de refrigerante. Não pude conter o riso, mas tentei disfarçar. “Bem feito!” pensei.
Me virei novamente e fui perguntar ao jovem onde estava o meu jornal e ele me disse que também não tinha visto jornal nenhum. Fiquei um pouco irritado com aquilo, mas não falei nada por que eu estava errado. Minha distração me condicionou às conseqüências.
Depois de ter argumentado que queria por que queria meu jornal de volta com o jovem, o gerente da lanchonete veio até mim e disse que não poderia vasculhar o lixo em busca do meu jornal por que todo o lixo já havia sido recolhido. Mas como aquilo poderia ser possível! Ninguém retira o lixo de algum lugar assim sem mais nem menos! Não havendo muito que fazer resolvi sair dali. Poderia buscar na internet essa edição do jornal para poder saber o que estava escrito na tal matéria interessante sobre células que eu queria ler. Quando saí, vi um mendigo com um saco nas costas e um copo na mão. Quando ele reparou que eu o estava observando, olhou para o outro lado e atravessou a rua. Estranho. Mas não liguei, era só um morador de rua.
Fui até meu carro e dirigi de volta pra casa. Cumprimentei minha mulher que assistia novela na sala. Estava tão compenetrada que mal me beijara direito. Subi as escadas, liguei meu computador e fui buscar a notícia na internet. Alguns cliques e leituras depois eu cheguei ao site do jornal. Digitei o mês que queria ver a notícia e fui olhando edição por edição até achar o que eu queria. Foi aí que li o título da matéria. Finalmente tinha achado, mesmo tendo perdido o velho jornal.
Comecei a ler com certa expectativa. Era uma matéria grande, mas ao mesmo tempo muito interessante. Começou falando sobre cientistas americanos e tudo mais. É comum ver sempre cientistas americanos descobrindo coisas. Bando de ladrões. Invadem um país qualquer, pegam isso e aquilo e às vezes até compram o direito das pesquisas. Voltei a ler e reconheci o trecho que tinha parado de ler. Estava na metade ainda. De repente o computador desligou! A luz havia acabado. Mas o pior é que não estava chovendo nem nada! Como assim a luz acabou!? Procurei na mesa da sala umas velas e as acendi com meu isqueiro. Desci as escadas e encontrei minha mulher desesperada. Falando que iria processar a companhia elétrica, que isso e que aquilo. Na verdade me uni a ela por que novamente não pude terminar de ler a matéria do jornal!
Ligamos pra companhia e nada de conseguir falar lá. Acho que o bairro inteiro estava tentando. Horas depois desistimos. Resolvemos ir dormir. Quando encostamos nossas cabeças no travesseiro, ouvimos a televisão lá em baixo. A luz tinha voltado. Resolvi dar uma de cavalheiro e fui desligar a tv. Olhei pro computador quando voltei e nem quis saber mais da matéria. Os cientistas que se entendam com a igreja.

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